quinta-feira, 10 de março de 2011

Seminário: O Direito à Cidade e o Impacto dos Megaeventos nas comunidades do DF


Dia 12 de março, às 14:00 horas, participe do Seminário:

Copa 2014:

O Direito à Cidade e o Impacto dos Megaeventos nas comunidades do DF

Local: FENASPS - CONIC (ao lado do Venâncio V)


Recentemente, o Brasil se sentiu ganhador de um presente: sediar o Megaevento esportivo da Copa do Mundo de 2014 e, em 2016, as Olimpíadas!


Logo nós, país do futebol, essa notícia traz alegria e emoção para todo mundo! Já pensou, ver a seleção brasileira entrando em campo?! Mas já pensou também em quanto vai custar o ingresso? Pois é, será que vai dar pra ir? A Copa, como todo grande evento, pode ser usada para várias finalidades. Cabe ao povo se organizar para garantir os benefícios da melhor forma possível. E também acabar com algumas mentiras.

Por exemplo, dizem que a Copa vai gerar muitos empregos com a construção e reconstrução dos estádios de futebol. O Mané Garrincha, em Brasília, foi demolido e já está em fase de reconstrução, com dinheiro público da Terracap, que é a empresa do Governo que cuida dos terrenos do GDF. O custo inicial da obra é de R$ 700 milhões. Com este dinheiro dava para construir 10 mil casas populares de R$ 70 mil nos terrenos da Terracap.

Qual obra você acha que traria mais emprego? Destruir um estádio pronto e construir outro, ou construir 10 mil casas populares?

Estas mesmas empresas pagas para construir os estádios, também foram beneficiadas pela Lei 12.350, que criou o RECOPA. Por este programa, as empresas que constroem os estádios receberão isenção de impostos próximos a R$ 350 milhões para a construção dos estádios até 2014. Se o governo dá isto tudo para as empresas, ele bem que poderia subsidiar os ingressos para que o povo em geral pudesse ir ver a seleção né?!

A verdade é que, se a gente não fiscalizar, muita corrupção, muito desvio de dinheiro vai rolar porque vão argumentar que a Copa é prioritária, que tem que fazer a todo custo... e que aí tem que pagar mais. A gente sabe como funciona. Cabe agora fiscalizar e cobrar.

Dizem que os/as trabalhadores/as da região também vão ganhar. Afinal, com tanto turista, vai ter muito mais venda de serviços para eles/as. Mas, o que estamos vendo em Belo Horizonte, Porto Alegre e outras cidades é que os/as vendedores/as de perto dos estádios foram todos expulsos. Em seu lugar, vão entrar as grandes redes de distribuição tipo McDonalds. Afinal, diz quem está na organização, “gringo que é gringo não come cachorro quente na rua”.

E as obras na cidade? Com a vinda dos turistas, as cidades vão querer ficar bonitas. Vamos poder aproveitar pra sempre das melhorias!

Bom, também depende. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, graças às obras da Copa, milhares de pessoas já foram despejadas de suas casas sem direito a indenização (afinal, a Copa é de interesse púbico!). No ano de 2010, segundo a FGV, o preço do aluguel aumentou quase 50% !!! Assim, as obras no Rio de Janeiro estão servindo para separar rico/a de pobre e, obviamente, deixar estes/as longe...bem longe dos turistas e dos jogos da Copa e Olimpíadas. Em outras cidades também já ocorreram despejos.

O que dizer do trânsito? Se a gente não cuidar, o que vamos ver são grandes obras, que vão custar muito dinheiro ao nosso bolso, como o VLT em Brasília, ligando o centro ao aeroporto (ou seja, o trajeto dos turistas) e algumas que beneficiem apenas o trânsito de carros. Melhorias do transporte público, benefícios em favor dos pedestres, das bicicletas e da convivência das pessoas, isto pode ficar pra depois. Não podemos ficar quietos.

Por fim, muita gente vai dizer que com a Copa e as Olimpíadas o Brasil vai virar uma potência esportiva!!! Mas, para isto, é preciso incentivo ao esporte desde a base. Qual política a gente viu sendo construída nos últimos anos? Afinal, faltam 5 anos para as Olimpíadas e não se tira novos/as atletas da cartola, como os mágicos fazem com os coelhos. A política esportiva no Brasil está parada. O Ministério dos Esportes dá calote no Bolsa Atleta e não tem nada que incentive as escolas públicas ao esporte. No DF é igual. Enquanto o GDF gasta dinheiro patrocinando o campeonato candango, o futebol amador continua sem receber o mínimo apoio, nas mãos de deputados oportunistas que pagam o uniforme e a bola em troca de votos.

Podemos mudar tudo isto. Contribuir para que este evento seja a favor da população do DF e do Brasil.

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